quarta-feira, 22 de julho de 2009

Aumenta violência nos estádios brasileiros



Os Estádios foram idealizados para agrupar as pessoas que visam presenciar as competições de futebol, atletismo, entre outros. Todavia, ao invés de sediar os esportes, em algumas ocasiões, tem se tornado arena de guerra entre as torcidas.


Em um estudo realizado pelo sociólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Maurício Murad, durante 1999 a 2008, constatou que 42 torcedores morreram em conflitos dentro, no entorno e nos acessos aos campos. Os dados da analise foram fornecidos pelos meios de comunicações das principais cidades do país e ratificados pelos departamentos policiais.


Conforme o Sociólogo, no início da pesquisa, o Brasil ocupava o terceiro lugar em números de óbitos em comparação a outros países. A ordem era Itália, Argentina e Brasil. Hoje, dez anos depois, o Brasil conquista o primeiro lugar.


Para Murad essa constatação deveria ser uma grande preocupação para um país que abrigará a Copa do Mundo de 2014. “A violência é uma preocupação para a Copa porque, de todos os problemas que a FIFA (Federação Internacional de Futebol) acompanha, e o manual da FIFA exige de um país sede, a segurança pública, é um dos principais. O problema da segurança pública é da maior importância para a Copa do Mundo”,disse.


O professor Murad ressaltou que o Brasil só esta ocupando a primeira colocação por não reagir à violência. Murad exemplificou a Itália, que promoveu reformas na legislação até a punição dos dirigentes que incitassem a selvageria.


Um outro dado alarmante da pesquisa, segundo o sociólogo, é o aumento proporcional dos óbitos nos últimos cinco anos. “Se no período de dez anos a média é de 4,2 mortes a cada ano, no período entre 2004 e 2008 o número de mortos totaliza 28, dando uma média de 5,6 mortos por ano”, falou. A proporção é ainda bem maior se contabilizados apenas os dois últimos anos: 14 mortes ocorreram entre 2007 e 2008, uma média de sete mortos por ano.


“Mas a violência não é algo típico apenas do mundo esportivo. Cresceu a violência no futebol porque cresceu a violência no país. E cresceu a violência no país porque a impunidade e a corrupção são cada vez maiores”, concluiu o sociólogo.


A pesquisa também identificou as mudanças na forma das agressões. Se antes as mortes ocorriam por quedas ou brigas, atualmente, por armas de fogo.


A maior parte das vítimas, de acordo com o estudo, era composta por jovens entre 14 e 25 anos. O perfil se assemelhava: de classe média ou baixa, com baixa escolaridade e, em geral, desempregado. Também constatou que, em grande parte, esses torcedores não eram ligados a práticas de violência.


Cerca de 80% das vítimas não tinham ligação com setores violentos ou delinquentes de torcidas organizadas. Apenas em 20% eram ligados a grupos de vândalos.


"Uma morte já é gravíssima, mas a morte de um inocente, que não está ligado a práticas de violência e que foi ao estádio para se divertir e que foi com sua família para torcer pelo seu time é muito mais grave, ressalta.


Caminhos- A pesquisa do Sociólogo propõe soluções para o combate a violência nos estádios. Em curto prazo, elaborar ações repressivas como a proibição da venda de bebidas alcoólicas; o controle da venda de ingressos, proibindo a ação de cambistas, e o aumento da oferta do transporte coletivo na saída dos estádios.


“Chegar nos estádios, cada um chega mais ou menos numa hora, mas sair, sai todo mundo junto. Ali é que mora o perigo. E quanto mais rápido a multidão escoar, menor é a possibilidade de violência, de roubo e de brigas”, concluiu.


A médio e longo prazo, Murad cita soluções como campanhas educativas que possam atrair as famílias para os estádios. O aumento dos ingressos promocionais.


“A ida de mulheres, famílias e de pessoas da terceira idade e de crianças aos estádios porque esses grupos naturalmente neutralizam e isolam esses grupos violentos”, concluiu.


Ranking dos Estados
1º Rio de Janeiro
2º São Paulo
3º Minas Gerais

Fonte:
Jornal da Manhã

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