
O III Congresso Norte-Nordeste de Multiressistência Bacteriana promoveu, em uma das mesas de discussões, o tema Hemodiálise: da Legislação ao Controle da Qualidade. Entre os debatedores estiveram Jaime Brito, da Vigilância Sanitária de Pernambuco, Reinaldo Silva, presidente da Associação de Patologias Especificas, Joana Angélica Ferreira e André Gemal, do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/FIOCRUZ), sobre a coordenação de Frederico Castelo Branco, do Hospital das Clinicas/UFPE.
A palestrante Joana Angélica Ferreira., trouxe a experiência positiva da água usada na hemodiálise, no Rio de Janeiro. Isso se deve a implantação do Programa de Análise Fiscal de Qualidade da Água para Hemodiálise, realizado pelo INCQS/FIOCRUZ, que desenvolve, desde 1999, a ação em colaboração com a Coordenação de Vigilância Sanitária do Estado do Rio de Janeiro e com Superintendência de Controle de Zoonoses, Vigilância e Fiscalização Sanitária do Município do Rio de Janeiro. O programa priorizou a qualidade das águas tratadas para a hemodiálise. Antes cuidadas por empresas terceirizadas.
"Até 1998 eram encontrados agravos (danos) relacionado à água usada no procedimento que determinavam que mais de 95% das amostras apresentavam um índice bacteriológicos bem maior ao aceitável no procedimento. Fazendo com que quase todas as análises fossem reprovadas na fiscalização”, disse Joana Angélica.
Após a identificação da problemática e a união dos parceiros, os resultados melhoraram acentuadamente. “Mostramos o que estava sendo feito de errado. Desde a coleta, a estruturação da teia de canos para diálise e o local incorreto dos maquinários. Os diretores, desses centros, tiveram a sensibilidade de se enquadrar as medidas adotadas. Isso, sem precisar de grandes investimentos como a troca dos canos por outros em aço inoxidável. Apenas, reestruturar alguns procedimentos e nova localização dos equipamentos”, ressaltou Joana.
Atualmente, 110 clínicas fazem os procedimentos de hemodiálise. Do índice de reprovação que chegava aos 95%, em 1998, vêm sendo mantido nos 2% desde o ano de 2006. “Queremos baixar ainda mais esse índice”, concluiu Joana.
O volume de água tratada utilizada em cada sessão de diálise é, de cerca, de 150 litros por pacientes. Até a década de 60, a hemodiálise era usada apenas nos casos de falência renal aguda. Com o desenvolvimento da derivação veia-arterial e avanços tecnológicos em equipamentos auxiliares, a hemodiálise crônica ou de manutenção tornou-se um procedimento rotineiro. No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, estão em programa de diálise crônica mais de setenta mil pacientes. O Lacen de Pernambuco desenvolve o trabalho semelhante ao do Rio de Janeiro. Os índices de reprovação também estão no patamar de 2%.
Oficina- Os programas desenvolvidos por Rio de Janeiro e Pernambuco será adotada em todas as regiões do país. Essa foi à decisão compartilhada por todos os presidentes dos Lacen´s durante a 1ª Oficina de Vigilância da Água para Hemodiálise: Quadro atual e Perspectivas, ocorrida em junho.

Nenhum comentário:
Postar um comentário